Hiperdontia: o que é e o que fazer quando se tem dentes a mais?

Este artigo apresenta a definição de hiperdontia, o que caracteriza esse quadro e quais são suas possíveis causas. O conteúdo também explica como é feito o diagnóstico, além de abordar as opções de tratamento disponíveis. O material ainda esclarece o que deve ser feito caso a pessoa identifique sinais de hiperdontia e alerta sobre os possíveis impactos negativos dessa condição quando ela não é tratada corretamente.

Existe uma ideia comum de que o corpo humano segue um padrão bem definido, inclusive quando falamos da quantidade de dentes. De fato, há uma base anatômica considerada normal, que orienta o desenvolvimento da dentição e os cuidados com a saúde bucal ao longo da vida. Mas a hiperdontia é uma exceção à regra.

Essa característica não é considerada um problema grave. No entanto, quando não identificada e tratada corretamente, ela pode trazer prejuízos com o passar do tempo. Por isso, é essencial conhecer a condição e saber como identificá-la.

Para ajudar no cuidado com a sua saúde bucal, preparei este conteúdo para explicar o que caracteriza a hiperdontia e o que nós podemos fazer para corrigi-la. Acompanhe!

O que é hiperdontia?

A hiperdontia é uma condição em que a pessoa tem mais dentes do que a quantidade considerada normal. Esses dentes supranumerários podem surgir tanto na primeira dentição (de leite) quanto na permanente, com diferentes formatos e localizações na arcada.

Um ponto importante é que nem sempre esses dentes ficam visíveis. Eles podem permanecer dentro do osso, sem erupcionar, sendo identificados apenas por meio de exames de imagem solicitados durante a avaliação odontológica.

Quais são as causas e os sintomas de hiperdontia?

As causas da hiperdontia ainda não são totalmente definidas, mas existem fatores que ajudam a explicar o seu surgimento, como:

  • predisposição genética;
  • alterações no desenvolvimento da lâmina dentária;
  • associação com condições como displasia cleidocraniana e síndrome de Gardner.

Mesmo com essas associações, a hiperdontia pode surgir de forma isolada, sem histórico familiar ou condição associada. Ela também ocorre de modo assintomático ou com sinais pouco evidentes, o que tende a dificultar a identificação precoce. 

Quando há manifestações clínicas, elas geralmente estão relacionadas aos efeitos que o dente extra provoca na arcada e no posicionamento dos outros dentes. Assim, os sinais mais comuns são:

  • desalinhamento dentário;
  • apinhamento (dentes “encavalados”);
  • atraso na erupção de dentes permanentes;
  • espaços incomuns entre os dentes;
  • alteração na mordida;
  • dente fora da posição habitual.

Ao notar qualquer um desses sinais, o ideal é procurar um dentista para avaliação. Afinal, a hiperdontia é uma condição estrutural, então é preciso ter o suporte de um especialista para saber o que fazer.

Como são feitos o diagnóstico e o tratamento da hiperdontia?

O diagnóstico da hiperdontia começa com uma avaliação clínica detalhada. Durante a consulta, eu observo se há sinais de dentes supranumerários e realizo a contagem da dentição. Porém, o diagnóstico correto também requer exames de imagem, como a radiografia, para visualizar os tecidos internos.

Com essas informações, é possível estudar o caso e definir o melhor momento para intervir, quando necessário, e iniciar o tratamento mais adequado.

A abordagem não é igual para todos os pacientes. Ela depende de fatores como a posição do dente extra, a quantidade de supranumerários, a idade do paciente e o impacto na arcada.

Em geral, o tratamento da hiperdontia inclui:

  • acompanhamento periódico, quando não há impacto funcional ou estético;
  • remoção do dente supranumerário, quando há interferência na arcada;
  • tratamento ortodôntico, quando é necessário corrigir o alinhamento.

Quando necessária, a remoção do dente a mais é feita por meio de um procedimento planejado com base nos exames de imagem. Após a extração, pode ser indicado o uso de aparelho ortodôntico para reposicionar a arcada e restabelecer o equilíbrio.

O que acontece se a hiperdontia não for tratada?

Quando a hiperdontia não é acompanhada ou tratada, os impactos tendem a aparecer progressivamente. A seguir, eu explico os principais efeitos da falta de tratamento e por que eles acontecem!

Alterações na mordida

Quando o posicionamento da dentição é alterado, o encaixe entre as arcadas também pode ser comprometido. A hiperdontia interfere na forma como os dentes superiores e inferiores se encontram, causando alterações na mordida.

Esse desequilíbrio costuma afetar funções básicas, como mastigação, e gerar sobrecarga nas estruturas bucais e faciais, como a articulação temporomandibular (ATM). Nesses casos, além da remoção do dente extra, o dentista indica o tratamento ortodôntico para restabelecer a função adequada das arcadas.

Dificuldades na mastigação

As alterações na mordida e no alinhamento dentário impactam a mastigação. Quando os dentes não se encaixam corretamente, o processo de triturar os alimentos se torna menos eficiente e, em certos casos, desconfortável.

Isso pode levar o paciente a mastigar de forma inadequada ou evitar certos alimentos. Esse efeito não interfere apenas na saúde bucal, mas também na qualidade da nutrição, na absorção de nutrientes e, por consequência, no organismo como um todo.

Prejuízo estético no sorriso

Dependendo da posição e do formato do dente extra, a hiperdontia provoca alterações visíveis no sorriso. Desalinhamentos, giros, espaços irregulares ou apinhamento afetam a harmonia estética e podem incomodar o paciente.

Assim, o problema afeta a imagem e tende a influenciar a forma como a pessoa se expressa, sorri ou fala, abalando a confiança e a autoestima.

Problemas de saúde bucal

A hiperdontia não causa doenças bucais diretamente, mas cria condições que favorecem o seu desenvolvimento. Quando há desalinhamento ou apinhamento, a higienização fica mais difícil, já que a escova e o fio dental não alcançam todas as áreas com facilidade.

Com isso, aumenta o acúmulo de placa bacteriana, o que eleva o risco de problemas como cáries, tártaro e gengivite. Portanto, a hiperdontia pode comprometer a saúde bucal se não houver acompanhamento adequado.

Como você viu, a hiperdontia precisa ser avaliada individualmente, já que seus impactos variam de acordo com cada caso. Com diagnóstico adequado e suporte de um dentista, é possível definir a melhor abordagem e tratamento, a fim de restabelecer o alinhamento da arcada, além de preservar a saúde bucal.

Faça uma avaliação completa comigo para conhecer melhor as características dos seus dentes. Entre em contato e agende uma consulta para cuidarmos bem do seu sorriso!

Dra. Danielle N. Pimenta

CRO/PR 21.725
Ortodontia e Harmonização Facial

Danielle Pimenta - Doctoralia.com.br