Ainda há quem duvide que a respiração bucal traga sérias consequências para o rosto. Porém, nos atendimentos de meus pacientes que respiram pela boca, explico que essas mudanças acontecem gradualmente. Por isso, as pessoas só percebem os efeitos quando eles estão bem nítidos.
Toda essa alteração, que envolve músculos, ossos e até a posição da língua, modifica o desenho da face, principalmente durante o crescimento infantil. Ao longo dos anos, a autoestima também pode ser afetada.
Por essa razão, explicarei como isso acontece e por que o tratamento para evitar a respiração bucal precisa ser precoce. Vamos lá?
Quais são as principais alterações que a respiração bucal traz para o rosto?
Quando o ar entra pela boca, toda a musculatura da face precisa se adaptar. Com o tempo, essa adaptação se torna uma mudança estrutural.
Nesse contexto, alguns sinais são bem típicos de pessoas que respiram pela boca, como:
- aparência de olhos mais fundos, devido à perda de suporte na musculatura do rosto;
- sutil assimetria facial, que pode alterar a percepção da harmonia do nariz;
- queixo retraído porque a mandíbula tende a ficar posicionada mais para trás;
- sobremordida, causada pela alteração da posição da língua;
- rosto mais estreito, já que a arcada não se desenvolve como deveria;
- dentes tortos, uma vez que a falta de espaço causada pelo mau posicionamento da língua pode comprometer o alinhamento dental.
Qual é a importância do diagnóstico precoce?
Não é exagero dizer que o diagnóstico precoce da respiração pela boca é capaz de mudar o futuro de uma pessoa. Quanto antes se identifica esse padrão respiratório inadequado, maiores são as chances de evitar uma série de problemas que podem se tornar sérios com o tempo.
À medida que o ar não entra pelo nariz, é possível ver repercussões em várias áreas da saúde, como:
- distúrbios do sono e apneia;
- respiração menos eficiente, podendo gerar cansaço, irritação, sonolência e dificuldades de concentração;
- alterações de postura, já que a cabeça se posiciona para frente para facilitar a passagem de ar;
- maior predisposição a infecções respiratórias, como sinusite e otite.
Diagnosticar a questão cedo ajuda a prevenir danos, melhorar a qualidade de vida e dar à criança ou ao adulto a chance de respirar melhor, dormir bem e se desenvolver com saúde.
Como o tratamento deve ser feito?
O tratamento da respiração bucal não deve ser isolado. Para resolver a situação, é importante investigar a causa do problema com um médico, além de manter o acompanhamento com o seu dentista e o seu fonoaudiólogo de confiança.
Minha função como dentista, por exemplo, é analisar os seus dentes, arcadas, crescimento ósseo, mordida e todo o espaço de que a língua precisa para funcionar bem. Quando encontro alterações, entro com os ajustes necessários.
Já o fonoaudiólogo é responsável por reeducar os seus hábitos orais, ajudando você a desenvolver um padrão respiratório mais adequado, fortalecer a musculatura facial e orientar a posição correta da língua no repouso e deglutição.
Agora que você conhece os principais efeitos da respiração bucal, pode ficar atento aos sinais e procurar ajuda quando for preciso. Vale lembrar que a visita rotineira ao dentista é muito importante para identificar esse tipo de problema.
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